Saludo!

Buenas viventes! Venho mostrar, com humildade, meu ofício de guasqueiro através dos meus trabalhos. Espero que seja do agrado de todos. Forte abraço, e que o Patrão Maior nos abençoe nessa jornada!

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Bainha de Patrão para uma "Três Listras"...

Buenas e buenas, gauchada!
Meu colega de graduação em Medicina Veterinária, Ronaldo Vieira Junior, resolveu encomendar uma bainha de patrão pra uma xerenga guapa que adquiriu lá no rodeio da Vacaria.
Disse-me o taura que queria uma peça pra "se lavar", hehe.
Então, fomos olhar os modelos e acertarmos os acabamentos pra sua bainha.
Me apresentou uma faca de 40cm de lâmina, feita de um facão "três listras", com cabo de prata.
Ao chegar em casa já comecei a pensar nas formas e retovos e em como ficaria o trabalho pronto.


Escolhi um couro de boa espessura, pois a faca sendo buena de fio e de peso considerável, precisaria ficar bem abrigada da cintura, já que o vivente a usa para laçar (e dizem que é bom de corda, hehe).
O couro foi preparado com uma técnica diferente. O lonqueamento foi feito a fogo, evitando o esfolamento da flor e a sova feita à mão, um processo muito trabalhoso, mas com excelente resultado. Chama-se essa forma de sova de "graneado", pois o couro fica com aspecto quadriculado por ser dobrado em todos os sentidos.


Os retovos foram feitos em lonca clara de cabrito, em costuras de borda que variam de 6x2 a 9x2. No botão foram bordadas as iniciais do galo, em letras estilizadas.


A presilha é de tentos embutidos, feita com o mesmo couro da bainha, e o botão é o tradicional de maneia. Na ponteira (detalhe da foto), o acabamento escolhido foi um misto de botão de 6 tentos com revestimento de um só tento, semelhante ao tecido de bombas, e um corredor de uma volta com aumento de armação tecido pluma.
Mais um trabalho finalizado, volto à lida, que tem força de coisas pra terminar, hehe.
Forte abraço a todos!

Guaiaca Cinto (?) com algibeiras de sacar...

Buenas gauchada!
Certa feita, entrou em contato comigo um galo missioneiro, lá de São Borja (terra do grande Telmo de Lima Freitas, e da amiga Ione Freitas), indagando sobre meus trabalhos. Me disse ter uma ideia sobre um cinto, meio guaiaca...
Começamos a prosear e fomos arreglando as charlas e as ideias, até chegarmos a um modelo aproximado do que ele pensava.

Daí saiu esta peça: 
Um cinto de 5cm de largura com duas guaiacas de "sacar". Pois é, demorei um tempo para entender bem o que ele tinha em mente, mas, enfim, compreendi e saiu a peça!


Escolhi um couro forte, que foi lonqueado verde, sovado a macete e mordaça e forrado com lâmina fina couro curtido, o que deixou a peça muito confortável de ser usada.
Os retovos foram feitos com lonca branca de cabrito.


As algibeiras foram feitas à parte e receberam botões de pressão para que possam ser retiradas ao vestir o cinto nos passadores das bombachas. Assim, depois de estar o cinto na cintura, coloca-se as algibeiras .


Os botões escolhidos são os de maneia, de quatro tentos, com as presilhas em sovéu mui fino.


 A fivela em prata e ouro (louca de baguala) foi enviada pelo próprio Álvaro, que mandou fazer na HM FIVELAS, lá de Santo Ângelo - RS. Os galos da HM FIVELAS são plateros de mão cheia tchê, podes conferir mais em www.hmfivelas.com.br
Bueno, me deu uma certa dor de cabeça fazer essa algibeiras tão pequenas, mas gostei de ver o resultado.
Tá aí, Álvaro, espero que tenha ficado do teu agrado!
E vamos à lida. 
Forte abraço a todos.

quinta-feira, 1 de março de 2012

A sova do couro!

Um buenas a todos!
Comemorando um ano do blog MÃO CRIOLLA, e os mais de 25 mil acessos, uma postagem de presente aos amigos guasqueiros e trançadores que estão iniciando.
Muitos são os pedidos sobre técnicas, sendo um dos principais sobre a preparação e sova do couro.

E segue a explicação:

O primeiro passo é escolher um couro adequado ao tipo de trabalho pretendido. Para bainhas o couro não deve ser muito grosso, pois dificulta as dobras e pode se rachar a flor facilmente ao tentar dobrá-lo.
Para cordas chatas depende do tipo escolhido. Sendo cordas duplas o couro pode ser de média espessura, pois será dobrado. Já para cordas simples deve ser mais encorpado, pra a aguentar o tirão.
Lembro sempre, que a sova é o processo de quebrar as fibras de forma mecânica para amaciar o couro, ao passo que a curtição química faz o trabalho por meio reações químicas.
Quanto mais sovado o couro, mais macio, mas também temos que ter em mente que diminui a resistência do couro, quanto mais ele é sovado (até certo ponto), mas nada que tire suas principais propriedades.
Bueno, de posse do couro, tiramos uma guasca riscando com uma boa régua e ...faca nele!!! Para que amacie bem, passa-se azeite de mocotó ou graxa animal (fina) na flor do couro, afim de que penetre nas fibras e ajude no amaciamento, além de hidratá-las.


O próximo passo é enrolar a guasca em forma de espiral com o carnal para fora e sobre uma base firme (um cepo ou coisa do tipo) bater com o macete vindo sempre da ponta para o meio. Para facilitar a pegada do rolo, ate-o com um tento na ponta oposta a que será maceteada.
Após a primeira maceteada, vira-se o canudo, passando a ponta pronta por dentro do mesmo (conforme ilustração) e fazendo esta sair no outro lado, formando a espiral inversa. Muda-se o tento de ponta e segue-se os mesmos passos. Ao término dessa fase, abre-se a guasca, que será enrolada pela ponta que estava por fora, invertendo o couro (sempre com o carnal para fora) e seguindo o mesmo processo anterior.
Depois de maceteado, o couro aberto será preso por uma das pontas para ser "mordaçado". O processo é simples e quanto mais vezes for feito mais macio fica o couro. Para essa fase pode-se passar mais uma mão de azeite. Com a mordaça forçando sempre o carnal para fora, puxa-se de forma que ela corra sobre o couro, da extremidade presa até a oposta.
 A cada 10 ou 15 passadas, passa-se a mordaça forçando no sentido contrário (com a flor pra fora) apenas para que o couro se emparelhe. Não deve-se sovar com a flor para fora, por esta se quebra facilmente, estragando a parte externa do couro.
O processo de mordaçar também deve ser feito nas duas pontas da guasca de couro.

 Após, segue-se a finalização estendendo-se a guasca de couro sobre uma base firme e sovando-a com a mão em movimentos de vai-e-vem, como se estivesse abrindo uma massa.
 Os movimentos devem ser firmes para que a sova fique parelha.
 Para bainhas pode-se sovar em todos os sentidos, para melhor resultado.
 Ao final, o couro está macio e encorpado, podendo ser utilizado em uma vasta gama de trabalhos!
Espero ter contribuído com todos os iniciantes na arte da sogueria. Agradeço a todos que acompanham o blog, prestigiando e divulgando meu trabalho. Não deixem de acompanhar as atualizações!
Forte abraço guasqueiro!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Guaiaca de algibeiras ponteadas (2)!

Um buenas a todos!
Há algum tempo entrou em contato comigo um galo, pedindo que fizesse uma guaiaca com algibeiras ponteadas, a exemplo de uma que tenho postada no blog. Pediu que fizesse do tipo, pois dançava em invernada e gostaria de apresentá-la no rodeio da Vacaria! Proseando com o xirú descobri que ele tinha um pé lá na minha terra natal (Bom Jesus, RS), quando me disse que sua mãe é natural de lá! Lambendo uma séca (como diz o amigo Joacir), ficou tudo arreglado e me boleei pro trabalho
Bueno, fui ao projeto, depois de pegar as medidas e começo a sair o modelo. O couro lonqueado foi bem sovado, de macete e mordaça.
As costuras de borda foram as clássicas 8x2, com tento de lonca de cabrito, como em todos os retovos, feitos pela mão apurada da minha patroa, que tá sempre me fazendo um costado.
Modificados os detalhes para ficar um trabalho exclusivo, dentro do modelo pedido, os botões foras feitos com 4 tentos, tipo maneia e as presilhas das algibeiras com tentos embutidos.
As costuras das algibeiras variaram entre 7x2 e 8x2, e os acabamentos da fivela e cinta em escalera.
E tá aí o bicho! Entreguei em cima do laço, no dia que o galo iria se apresentar, e ficou exata a medida! Essa deu pano pra manga, como se diz.
E a lida segue, que "não podemo se entregá pros home, mas de jeito nenhum"!
Forte abraço a todos.


Faço aqui um adendo:
Depois do rodeio, tive a satisfação de receber a notícia de que o CTG PAMPA DO RIO GRANDE, do qual participa o amigo Gerri Ramos (o dono da guaiaca), foi o campeão na categoria invernada adulta. A guaiaca deu sorte, galo cinza (hehe).
Parabéns a todos os integrantes, que levam e cultivam nossa tradição por todos os cantos dessa pátria!
E VIVA O RIO GRANDE!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

A bainha campeira do "Buiú"

Quando digo que o serviço anda dobrado (graças a Deus) não é brincadeira, se não fosse a patroa a me dar uma mão nas costuras... andamos varando as noites, fazendo várias peças de uma vez só!
Essa bainha foi uma encomenda do amigo "Buiú", durante uma janta ( um arroz com "galinha de sítio", daquelas cevadas a milho) lá no rancho dele.
Me pediu uma bainha que servisse pras lidas, de campereadas e cavalgadas, que fosse resistente e com costuras simples e difíceis de rustir.
Preparei um couro especial pra essa peça, bem sovado e em um tom que ficasse bueno em contraste com os tentos de lonca de potro (resistente, lembram?), combinando com a cor do cabo da faca.
 As costuras foram de escalera, de dois tentos de 1mm, e bem caladas para evitar que sejam rustidas na lida. A bainha foi fechada com costura 5x2.
 O acabamento da ponteira foi feito com corredores tecidos em esterilla, de tentos de potro de 0,8mm, bem ajustados e calados.
 O botão foi apresilhado à ponta por uma trança de 4 tentos, com botão de maneia.
Tá apresentada a bainha, xirú velho, espero que tenha ficado do teu gosto e sirva bem nas tuas lidas!
Forte abraço a todos.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Travessão de cinchão bordado

Buenas Gauchada!
Tá aí o travessão do Jean, do qual falei na postagem anterior!
Os bordados foram escolhidos por ele (marca e detalhes).
Uma peça pra ficar pros netos dele, como costumo dizer!
Feito com couro cru, meia sova, 3 camadas, para não perder nada de resistência e aguentar algum tirão forte quando cinchar, pra serviço pesado. Retovado com bons tentos de lonca forte em toda volta, argolas grossas de inox, compondo um conjunto muito forte, de fato!
 No mais segue a lida, que o galo me disse que vai passar aqui pra pegar e ver algo mais pra aquela encilha baguala que tá compondo.
Forte abraço a todos!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Sobrecincha bordada

A encomenda é do amigo Jean Vitor, que está compondo uma encilha baguala!
 O couro de Hereford tava guardado há algum tempo, e foi passado um óleo especial pra dar a sova, pois precisa ser muito macio, mas sem perder a resistência.
Argolas de inox de primeira, com destorcedor para apresilhar o laço. O modelo com "bolachas" sob as argolas evita alguma pisadura na barriga do animal.
Os retovos feitos com lonca de cabrito, de tentos mais espessos, escolhidos especialmente para ter uma boa resistência.
E logo sai o travessão da cincha!
Forte abraço a todos.


segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Guaiaca Tropeira

-"Tradição é tradição, se vamos preservá-la, que as coisas sejam conforme antigamente"!
Assim me disse o amigo Daniel Silva, ao me encomendar uma guaiaca serrana, estilo as que os tropeiros usavam.
Duas fivelas e uma "munaia" de uma algibeira atrás pra guardar os cobres, bem no estilo antigo.
Pesquisamos em alguns livros os possíveis desenhos (O gaúcho - J.C Paixão Côrtes, Pilchas do Gaúcho - Véra Stedile Zattera, algumas pesquisas na internet, pinturas, fotos antigas...) e o galo conseguiu uma guaiaca parecida pra tirarmos uma base até chegarmos próximo ao modelo. Olhando o desenho o galo pediu que mudasse alguns detalhes, mas que poderia ser direto no couro..."porque essa coisa de desenho fica meio esquisito"! Entre um mate e outro o esboço foi feito e assim, arreglando os detalhes, mudando daqui, arredondando dali, saiu a guaiaca do "hóme do céu" (como se diz aqui pelas Lages).
Na primeira semana, durante a preparação e corte do couro mateamos e escolhemos as costuras..."Não carece luxo, que os gaudérios tropeiros não tinham isso, é pra ser simples como painel de jipe"... me dizia o taura.
E foi assim (por essa luz que me alumia) que saiu a dita peça!

 Couro cru, sovado à quatro caras retovado com tentos de lonca de cabrito. A costura nas bordas foi o "ponto do lado", como chama o amigo e guasqueiro Ximango, que o Daniel já tinha pedido em um cinto que fiz há algum tempo, e do qual gostou muito.
 A marca foi com costura de "pelo", os botões de maneia de 4 tentos com presilhas de sovéu. As bordas da algibeira uma "costura de crista", pra ficar simples  mas de boa aparência, destacando o corte.
 
Do esboço inicial (acima) mudando alguns detalhes saiu a baita, e o galo saiu daqui há uns dez minutos, faceiro qual ganso novo em taipa de açude, certo de que não fugiu da escola, se tratando de preservar a tradição!
Bueno, segue a lida, e que o Patrão Maior nos abençoe nessa jornada, pois o serviço, graças a Ele, anda dobrado!
Forte abraço.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Guaiaca bordada de duas fivelas

Buenas gauchada!
Mais uma guaiaca que saiu do papel pra cintura de um vivente!
Certa feita, recebi um e-mail de um gaúcho, erradicado em São Bernardo do Campo, SP. Disse ele que tem saudade do nosso velho pago gaúcho (sei como é isso) e que gostou dos meus trabalhos, traziam algumas lembranças da terra dele... entre um charla e outra me mandou uma foto de uma guaiaca, e pediu que eu fizesse uma exatamente igual aquela.
O causo é que a guaiaca não era das minhas, mas eu sabia de quem era a baita.
De bate pronto conversei com o amigo (mestre guasqueiro e "platero") Raul Sartor Filho, que gentilmente cedeu os direitos pra eu executar o trabalho pro xirú lá em São Paulo.
No mais, ao receber a notícia, o galo ficou mais faceiro que égua com dois potrilhos, e eu, daqui, me boleei pro serviço, que a essa altura já era dobrado...

Para a guaiaca usei um couro cru de primeira que tava ali guardadito e esperando um serviço de fundamento. Sovei a quatro caras conforme manda o figurino, e ficou guapo, no mais!

A costura da borda escolhida foi a 8x2, com todos os retovos com uma lonca de cabrito buena que dá gosto, lá do seu Zé do Barbicacho, de Passo Fundo.
 Mudei alguns traços, conforme minha mão, e a patroa ainda arrematou as costuras, que ficaram bagualas e meio, hehe!
Resultado "especial de primeira", como diria o seu Zé Preto, capataz lá da estância do meu avô.
Agradeço por demais ao amigo Raul, por autorizar a execução do seu desenho.
Ao Claudimir, espero que gostes, galo véio, e continues cultivando a nossa tradição, aí longe do nosso Torrão Gaúcho!
Forte abraço e um ano novo mais que especial a todos.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Vazadores para couro

Um buenas a todos!
Mais uma ferramenta de grande utilidade para quem lida com couro. 
Os vazadores de aço são de excelente qualidade e imprescindíveis para um bom acabamento em cordas, cintos, presilhas...
Disponíveis nos números 4, 7 e 10

Entra em contato e pede um orçamento, vivente!
Forte abraço!

domingo, 25 de dezembro de 2011

Natal Galponeiro

Natal Galponeiro
 Jayme Caetano Braun

 
A cuia do chimarrão,
É o cálice do ritual,
E o galpão é a Catedral
Maior da terra pampeana,
Que de luzes se engalana,
Para esperar o NATAL.

A cuia aquece na palma
Da mão da indiada campeira,
Dentro da sua maneira,
Rezando e chairando a alma,
Para recuperar a calma,
Que fugiu do mundo inteiro.
Enquanto o estrelão viajeiro,
Já vem rasgando caminho,
para anunciar o "Piazinho",
A Virgem e o Carpinteiro.

Em nome do Pai,
- Do Filho e do Espírito Santo,
É o chimarrão que levanto,
E o vento faz estribilho,
A prece do andarilho,
Ao Piazito Salvador,
Filho de Nosso Senhor,
Do Espírito e do Pai,
De volta a terra aonde vai,
Falar de novo em amor!

Tem sido assim - dois mil anos,
Ninguém sabe - mais ou menos,
Vem conviver com os pequenos,
De todos os meridianos,
E repetir aos humanos,
As preces de bem querer.
Quem sabe até - pode ser,
Que um dia seja atendido,
E o mundo velho perdido,
Encontre paz para viver.

Ele sabe da apertura,
Em que vive o pobrerio,
A fome - a miséria - o frio,
Porque passa a criatura,
Mas que - inda restam - ternura,
Amizade e esperança,
É que pode, a cada andança,
Mesmo nos ranchos sem pão,
Aliviar o coração,
Num sorriso de criança!

Pra mim - que ouvi na missões,
Causos de campo e rodeio,
Do "Negro do Pastoreio",
Cruzando pelos rincões,
Das lendas de assombrações,
E cobras queimando luz.
Foste - Menino Jesus,
O meu sinuelo de fé,
Juntando ao índio Sepé,
O Nazareno da Cruz!

E a Santa Virgem Maria,
Madrinha dos que não tem,
Fez parte - sempre - também,
Da minha filosofia,
Eu que fiz de Sacristia,
Os ranchos de chão batido,
E que hoje - encanecido,
Sou sempre o mesmo guri,
A bendizer por aí,
O pago que fui parido!

E o Nazareno que vem,
Das bandas de Nazaré,
Chasque divino da fé,
Rastreando a luz de Belém,
Ele que vai morrer também,
Pra cumprir as profecias.
É Natal - nasce o MESSIAS,
Salve o Menino Jesus!
Mas o que fogem da luz,
O matam todos os dias.

Presentes - "Papais Noéis",
Um ano esperando um dia,
Quando a grande maioria,
Sofre destinos cruéis.
O amor pesado a "mil-réis",
E mortos vivos que andam,
Instituições que desandam,
Porque esqueceram JESUS,
O que precisa, é mais luz,
No coração dos que mandam!

Que os anjos digam amém,
Para completar a prece,
Do gaúcho que conhece,
As manhas que o tigre tem.
Não jogo nenhum vintém,
Mesmo sendo carpeteiro,
Mas rezo um Te-Déum campeiro,
Nessa Catedral selvagem,
Pra que faça Boa Viagem,
O enteado do Carpinteiro! 






Feliz natal a todos, forte abraço guasqueiro!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Lâminas para corte de couro

Buenas meus amigos!
Recebo muitos e-mails questionando sobre qual o melhor aço pra fazer uma faca de serviço, que conserve o fio, etc...
Pesquisando daqui e dali achei esse aço (de nome e sobrenome) "cromo vanádio", de primeira pra lidar com sola ou couro cru.
Tá aí uma ferramenta essencial para um corte perfeito no feitio dos teus preparos, loco véio!
Te aprochega, entra em contato e confere o que temos pra facilitar a tua lida!
Forte abraço!

Sovelas e cravadores para furação de couro e costuras

Buenas!
Saindo do forno mais algumas ferramentas de fundamento para uso na confecção de preparos, cintos, rastras, etc...
São cravadores e sovelas de aço carbono, de excelente têmpera e dureza ideal para o serviço.
Os cabos são de chifre e as ponteiras posso fazer conforme a necessidade do vivente!
Te prepara pra o serviço, tchê, ferramenta boa é metade do serviço, o contato tá aí do lado!
Ah, e como disse o meu amigo Figueirinha: "Hóme do céu, olha o tanto de tampa de borrachão"!!!
Hahahahaha...

Forte abraço, e aproveitando a ocasião, um FELIZ NATAL a todos os amigos que nos acompanham apreciam essa arte baguala!

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Técnicas sogueras - Botão simples de 4 tentos

 Buenas gauchada! Recebo muitos e-mails com pedidos de obras sobre sogueria crioula e por esse motivo resolvi adiantar algo para os aprendizes das artes guasqueiras, já que meu livro deve demorar um pouco para sair do projeto.
De início, uma boa pedida é o modo de confeccionar um botão, parte fundamental de qualquer tipo de trabalho, cordas, bainhas, cintos...
Na primeira parte vemos a ponta de uma guasca (tira) de couro cortada em 4 tentos. Imaginemos uma presilha de rédea ou uma maneia como exemplo. Para melhor entendimento do leitor sobre as ilustrações, tome-se as partes brancas como a flor (parte do pelo) do couro, as partes pretas como o carnal e as pontas vermelhas apenas como diferenciação para os tentos que estão sendo trabalhados na vez.
Seguindo para as primeiras passadas, com um tento sobre o outro, conforme as ilustrações até a formação de um "nó rapadura".


 Passando esta parte fazemos os mesmos movimentos, porém, de baixo para cima, conforme figuras que seguem.

 A próxima etapa precisa de atenção, para que não haja erro nas passadas. Porém seguindo exatamente as ilustrações, eliminam-se as possibilidades de erro. Lembrando que as pontas vermelhas representam o tento da vez a ser trabalhado, passando de cima para baixo. No primeiro movimento devemos deixar uma laçada sem apertar, para não perder o lugar de entrada do último tento. O ajuste pode ser feito já após a quarta passada desta etapa.



 Após estes 4 movimentos podemos ver como fica o trabalho do ângulo de cima  e da lateral.

 Em 4 movimentos  iguais (resumidos aqui em 2) procedemos a finalização do botão simples de 4 tentos, passando as pontas de baixo para cima.
 Nesta ilustração vemos como fica a saída dos tentos, já apertados e onde devem ser cortados, sempre de dentro para fora, evitando passar a faca na trança do botão.
 Aqui podemos ver o aspecto final do trabalho!
Esse botão pode ser encapado com algum tipo de corredor o mesmo ficar exposto. Com o tempo a mão  se afia e aprendemos a ajustá-lo para que fique uniforme.
Espero que ajude aos amigos que estão iniciando no ofício de guasqueiro, por hobby ou mesmo pra ajudar com uns cobres em casa!
Forte abraço guasqueiro a todos!